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sábado, 3 de julho de 2010

Um Profeta (Un Prophète - 2009) - Há recompensa no crime?



Seria aceitável que, moralmente falando, nos permitissemos conduzir a inconsistente e corrosiva degradação de nossa personalidade, nos deixando influenciar a ponto de sermos guiados pelas tenebrosas sendas do crime? Meu Código de Moral e Princípios (não escrito) aponta isso como um atestado de incapacidade, burrice e ingenuidade. Se um criminoso não terminar sua infame existência tombando em uma vala, vai terminar atrás das grades. A estrada de quem coleciona inimigos só se bifurca para estes dois lados. Um atalho implicaria medo e anonimato perpétuos. É bom viver assim? Perguntem a Juan Carlos Ramirez Abadía.

Em nível de Brasil, ainda é possível que possamos ganhar algum dinheiro honestamente e, quem sabe, atingir uma confortável estabilidade financeira. Pode ser que demore um pouco, mas é bem mais interessante. Se não roubamos, matamos ou viciamos quem quer que seja, a forma como nos conduzimos em nossas vidas e gastamos nosso dinheiro só dirá respeito a nós mesmos. Poderemos estufar o peito e dizer: “Sou uma pessoa digna. Não devo nada a ninguém. Tudo o que tenho foi à custa de muito trabalho honesto”. Meu modelo de exemplo é uma pessoa que atenda a esses atributos.

Não vou pormenorizar e, muito menos, classificar modalidades de criminosos, pois esse não é o propósito do presente post. Tudo o que disse até agora foi para servir de introito a um comentário de um filme que acabei de ver. O nome do filme é Um Profeta (Un Prophète – 2009). Dirigida por Jacques Audiard, a película nos conduz ao onírico pesadelo de quem vive atrás das grades. Aucunhada de "Carandirú Francês" a pelicula de Jacques Audiard, ao que me parece, foi injustamente taxada. Hector Babenco, com toda sua prepotência argentina, perto do diretor francês, é menor que uma formiga. No meu ponto de vista, a adaptação do romance de Dráuzio Varela não está à altura do livro. É bem verdade que Carandirú é um filme realista, mas um comparativo seria uma injustição com o filme francês.

Um Profeta tem um argumento bem mais consistente e, via de consequencia, um roteiro bem mais trabalhado, brilhantemente trabalhado pelas mãos do próprio diretor e de Thomas Bidegain. O filme não glamouriza a vida atrás das grades, mas trata, ainda que paradoxalmente, de forma imparcial e explicita, a importância de se seguir regras em um sistema que vive à margem de uma sociedade legalmente constituida, onde, achamos por bem, fechar os olhos.

O que eu posso dizer sobre o filme? Primeiro, uma breve sinopse: El Djebena, cujo papel ficou a cargo do talentoso Tahar Rahim, é um jovem de ascendência árabe que vai cumprir pena em uma penitenciária francesa. Chegando lá, ele logo demonstra sinais de fraqueza, o que o leva a cair nas graças de César Luciani, um máfioso corso interpretado pelo brilhante Niel Arestrup, espécie de manda chuva dentro do presídio. Como uma espécie de pau mandado, ele é contratado para um serviço, onde seu pagamento será, simplemente, a preservação da sua vida. A recusa significa morte. Seguindo-se a isso, toda a linearidade do filme seguirá embasada em como ele se portará diante de outros serviços feitos a mando do mafioso. O final, em que pese o clichê, é enigmático e deixa alguma coisa no ar.

O título do filme, o qual designa o personagem princípal (de ascendênia árabe, não esqueçam), é uma clara metáfora a Maormé, onde o presídio viria a ser a montanha, além de haver, em uma clara alusão ao alcorão, uma entidade que lhe sussurra coisas, como o suposto anjo visto pelo ícone mulçumano, o fazendo crer que tais palavras serviriam para ele, de alguma forma, redimir o mundo. Só faltou El Djabena ser epiléptico. Aí era demais, não era? Mesmo assim, o personagem era chegado em umas guloseimas ilegais, o que pode, de longe, ter algum paralelo com visões suspeitas. Há, leiam o interessante Versos Satânicos, de Salman Rushdie, uma critica sinica e explicita à religião islâmica. Eu o estou lendo e, até onde li, sei que merece uma indicação.

Encerrando, as demais atuações do filme são tão inigualáveis quanto convicentes, além de montagem, ediçao, fotográfia e os demais qualificativos já apontados, simplesmente ótimos. De todos os indicados ao Oscar 2010 de melhor filme estrangeiro, esse foi o primeiro que eu assisti. Qundo assistir o filme do conterrâneo de Babenco direi se estava à altura ou não de Um Profeta, mas sei que, por ser muito pouco provável, dificilmente as pessoas dirão que ele é melhor.

Ao assistir Um Profeta a gente entende e tem certeza que o bom cinema europeu, de um modo geral, tem uma estética diferenciada, bem longe filmes comérciais americanos, pelo menos em sua grande maioria.



quinta-feira, 1 de julho de 2010

Bíblia de Genebra: Uma Tradução Perdida noTempo



Talvez você, como eu, tenha assistido ao excelente filme The Book of Eli e se deparado com a famosa Bíblia chamada Versão Rei Jaime (King James Version), mas pouquissimas pessoas sabem que esta Bíblia teve uma precursora e, muito menos, que ela se chama Bíblia de Genebra. À época do seu lançamento, em 1560, ela logo se tornou um best-seller, devido a seu tamanho e à notória facilidade em manuseá-la, bem como a sua exatidão textual. Diferente daqueles modelos pesadões que repousavam nos atris das igrejas da Ídade Média que, a bem da verdade, serviam mais de enfeite do que para qualquer outra coisa, a Bíblia de Genebra caiu logo no gosto de famosos dramaturgos, como Shakespear e Marlowe, servindo, inclusive, de referência para citações em seus textos.



Idealizada por um grupo de refugiados protestantes ingleses e patrocinada pela burguesia protestante da época, a Bíblia de Genebra teve sua semente plantada, por óbvio, na Suíça. Acolhidos pela comunidade protestante daquele país, os ingleses buscavam fugir de ferrenha perseguição perpetrada pela rainha católica, Maria Tudor. Com um parque gráfico já bem estabelecido e um elevado interesse na leitura da Bíblia, os visionários protestantes ingleses iniciaram sua produção.



Confesso que falhei na tentativa de buscar uma correlação entre a fuga dos protestante ingleses para a Suíça e a fatídica noite de São Bartolomeu. Ícone e marco maior da intolerância religiosa na Europa, aquela noite foi uma página manchada de sangue na História Francesa, onde quase cem mil huguenotes (protestantes franceses) foram mortos nas ruas de Paris e, logo depois, emoutras cidades francesas. O que pode ter acontecido é que a influência dos protestantes ingleses junto à burguesia mercantil européia os tenha alertado e, consequentemente, trilhado por um caminho mais seguro. A iminente concretização de um maciço massacre na França, que, de fato, aconteceu, poderia gerar temor e receio, aos ingleses, de que tal modelo pudesse ser seguido à risca pela, então monarca, Rainha Maria, conhecida pela sua ira doentia aos protestantes e o seu método peculiar de diálogo. Mas, e isto fique bem claro, é só o que eu penso. Talvez a idéia seja pertinente, talvez não.


Traduzida para o inglês por William Whittingham e seus assistentes, a Biblía logo tornou-se popular na Inglaterra e na Escócia, sendo levada, algum tempo depois, a diversas colônias britânicas espalhadas pelo mundo. A Bíblia de Genebra foi a primeira Bíblia escrita no idioma inglês a usar um método com o qual, até hoje, o mundo inteiro está bastante familiarizado: a divisão numerada do seu texto em versículos. Somando-se a tudo isso, ela foi a primeira a implementar a utilização de títulos corridos e o uso de palavras chave para facilitar a busca de uma passagem especifica, bem como o uso de gravuras, prefácios, mapas, tabelas genealógicas e até uma seção de incentivo à leitura diária da Bíblia. Além do mais, o sentido original hebráico de algumas palavras foram conservados na Bíblia de Genebra como, por exemplo, o nome de Deus, Jeová.


Como não poderia deixar de ser, a tradução encontrou terreno fértil em polemizar algums aspectos, mas um, em particular, sobressaiu-se mais que os demais. A Bíblia de Genebra trazia, ao longo do seu texto, notas márginais que, segundo seus idealizadores, serviam ao próposito de facilitar o entendimetnos dos leitores, haja vista a Bíblia trazer, segundo eles, algumas passagens de díficil entendimento. As notas marginais não eram novidade alguma, pois Tyndale, vinte e seis anos antes da publicação da primeira edição da Bíblia de Genebra, já as havia usado. A polêmica foi apontada, sobretudo, pelo fato de tais notas serem apontadas como deturpadoras e insidiosas. A mais suspeita e conhecida voz a levantar-se contra elas foi o Rei Jaime I, apontando-as como imparciais e incorretas. Não era para menos! A Bíblia de Genebra questionava o "direito divino" dos reis.



Em retaliação, o Rei Jaime arquitetou uma nova tradução, acreditando, piamente, que, com ela a Inglaterra se veria livre, para sempre, da Bíblia de Genebra. O maior entrave enfrentado pela Versão Rei Jaime pela sua aceitação no século 17 foi a contínua popularidade e aceitação da Bíblia de Genebra. Depois de se tornar a Bíblia oficial da Escócia, muitas edições ainda continuaram a ser públicadas até 1644.


Mais que qualquer outra tradução inglesa, a versão traduzida pelo Rei Jaime deu sinais de patente hipócrisia, quando historiadores, ao analisá-la, perceberam que ela, mais que qualquer outra, foi influenciada pela versão de Genebra, a exemplo de algumas frases como "Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade" e "Salomão, em toda a sua glória". (Eclesiastes 12:1 e Mateus 6:29, respectivamente.)



Mesmo esquecida, a Bíblia de Genebra deixou consolidada sua marca no coração daqueles que amam a palavra de Deus, a estudam e seguem seus preceitos, vinculados em uma inabalável fé Naquele que os amou tanto, a ponto de dar Seu único filho em sacrifício.

Abraços.

P.S. - Se gostou, comente por favor

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Você tem TOC?


Eu tenho. Se você fizer uma varredura em sua forma de pensar, agir ou comportar-se em seu dia a dia, dentro do seu convívio social, é bem provável que você também o tenha. Se você tem uma obsessão, a qual deve ser atenuada por um comportamento compulsivo, seja bem vindo(a) ao clube. Você é portador(a) do quarto maior e mais frequente transtorno psiquiátrico diagnosticado pela literatura médica. E, além do mais, pode acreditar: o negócio é mais natural do que você pensa. Por isso, pode ficar tranquilo, pois você não vai sair na rua, enquanto as pessoas a chamam de louca e atiram pedras em você.

Os tratamentos restrigem-se ao que eles chamam de terápia cognitivo-comportamental, inibidores de recaptação de serotonina e inibidores seletivos de recaptação de serotonina, neurotransmissor (molécula responsável pela comunicação entre os nossos neurônios) que é responsável pelos nossos mais diversos impulsos nervosos e que contribui, em muito, para o agravamento do TOC.

Dentre os sintomas estudados, os que apresentam uma pior resposta ao tratamento, ministrado isolada ou conjuntamente, são os pensamentos de conotação sexual/religiosa e o colecionismo (hábito irracional em se guardar e acumular coisas inúteis e imprestáveis como jornais velhos, cartões telefônicos usados, sapatos velhos, meias furadas e etc.). No caso do colecionismo, a resistência ao tratamento foi apontado ao aparente e anômalo conforto que seus pacientes tem em se entregar a esse hábito de gosto dúvidoso. Além desses, os mais váriados sintomas podem mostrar-se, acaso seja apontado, como dito, a uma compulsão decorrente de uma obsessão. A sindrome de Tourette, mais conhecida como os "tiques" associados ao TOC, também está dentro do campo de estudo.

Em meu caso particular, confesso que estou mais na área dos pensamentos, os quais são, na maioria dos casos, inconfessáveis, além de ter um problema sério com o número sete e seus mútltiplos, os quais devem estar associados, na maioria das vezes, a tudo o que eu faço, mas não é nada sério e, às vezes, eu consigo mantê-lo sob controle (mesmo sob controle, a conotação patólogica da doença não é perdida, mas tão somente amainada). Tenho também uma propulsão à higiene, a limpeza e a ordem, mas, nesse caso, não é tanto pelo lado patólogico da doença, e sim por achar que minha vida será bem melhor com esses hábitos. Além do mais, não é nada radical, além de não provocar desconforto a mim, aos meus familiares e amigos, os quais são apontados como reflexos indiretos do TOC.

Eu não estou aqui levantando a bandeira do TOC que é, sim, uma doença e é capaz de provocar dor a quem o é portador. Não é bom sentir-se refém de sí próprio, aprisionado a algo que pode torná-lo incapacitado a um progresso espiritual e matérial, tornando-o inviabilizado a um relacionamento afetivo, amistoso e amoroso. Se o TOC for mantido sob controle, ótimo; se não, existem médicos e tratamentos para isso.

Fui.

Abraço.


segunda-feira, 28 de junho de 2010

A perniciosa pseudo-cultura do Bullying


O que motiva uma pessoa, aparentemente racional, a sobrepujar outra, a qual lhe é, sob algum aspecto, inferior? Como o mundo seria melhor se não tivessemos comportamentos similares ao mais latente catalisador da covardia, concebido em sua mais crua e repulsiva forma. O lado negro da imperfeição humana a serviço da dor inflingida a quem deveriamos amar: o nosso próximo.

Nosso primeiro contato com o Bullyng se dá na escola, onde, no papel de vítima, deveriamos ser preservados. Nem sempre o papel de nossos orientadores educacionais é otimizado nesse sentido. O contrário disso, infelizmente, é mais rotineiro do que supunhamos. Muitas vezes estamos frente a inescrupulosos profissionais, chamados professores, que, aproveitando-se dessa sua condição, orquestram a degradação de uma criança.

A criança é uma aliteração hereditária de seus próprios pais. O que elas levam ao seu convívio social, desde a sua tenra infância, é reflexo do que elas aprendem dentro de seus próprios lares e, somando-se a isso, sua carga genética contribui, em muito, para a má formação de seu caráter. Diante desse último aspecto, o que deveria ser contornado é, não raras vezes, estimulado. A doutrina de que a vitoria se dá através da força, e não da pacificação, onde as diferenças devem se respeitadas, é tão útopica quanto real. Goebbels disse que uma mentira, repetida mil vezes, se torna verdade.

Enveredando pelo subjetivismo, o que nos é intímo, jamais, por mais que nos esforçemos, atenderemos ao mais inato modelo de perfeição. Sempre estaremos em uma zona intermediária de força e da vulnerábilidade.

Dentro de um contexto belico, quantas guerras não são diariamente deflagradas em uma contraposição subserviente a uma das mais belas virtudes: o altruísmo. Afinal, Bullyng não é restrito apenas à escola, onde xingar, bater, difamar e atirar lixeiras vazias na cabeça dos outros é comum, tendo muitas vezes, professores como cúmplices. Matar também é valido como sinônimo. Se centenas de milhares de civis inocentes devem morrer para que outros fiquem mais ricos, que morram então! (Essa é a crença!). Os israelenses são peritos nessa arte. Ligamos nossa caixinha de raios catódicos e nos deparamos com criancinhas chorando ao lado dos cadáveres destroçados dos seus pais, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo.

Às vezes me pergunto qual é a margem de tolerância de Deus. Espero, sinceramente, que, quando ela se esgotar, eu não esteja mais nesse mundo. Será o dia em que a humanidade entenderá, na prática e de uma vez por todas, o que é justiça.

Abração.



domingo, 27 de junho de 2010

O mal da eutanásia é a devassidão moral

Algum ser humano, em seu juízo perfeito, não importando sua condição, é capaz de optar por viver ou morrer? Reflita! Na última sexta feira, a Corte Fedral de Justiça da Alemanha ergueu uma bandeira onde, creio eu, eles acharam por bem não estampar a suástica em seu centro, talvez para não dar muito na vista.

Sob um manto de uma falaciosa, estúpida e imbecil decisão, o referido órgão brindou o mundo e a humanidade, santificando e abençoando, com o que eles chamam de "eutánasia passiva". Isso significa dizer, meu caro amigo, que se algum dia eu me tornar cidadão alemão e for acometido de, quem sabe, uma doença terminal ou sofrer um grave acidente, e precisar ser mantido vivo por uma parafernalha médica, bem como passar a considerar, por causa disso, que minha existência passou a ser indigna, eu vou, veja bem, poder MORRER, tendo meu algoz particular, legalmente instituido, para me dar uma forcinha.

Óbviamente estamos falando de uma curiosa e peculiar fusão de suicído com assassinato. Usei, no primeiro parágrafo, a expressão "juízo perfeito", mas nem o "imperfeito", travestido de uma notória e patente confusão mental, pode servir de subsidio para essa desgraça. Se o mundo passar a achar isso bonitinho ou interessante, o apocalipse está mais próximo do que eu julgava estar.

Nunca perca de vista que estamos falando de nosso bem mais precioso, primordial sob todos os aspectos. Depois dele, tudo, absolutamente tudo, em nossa vida é meremente secundário. Jurisdicionalmente tutelada por Deus, a vida está sob julgo Divino. Não nos cabe qualquer margem de escolha ou ponderação acerca da sua viabilidade, ou não, de ser mantida e preservada, não importando o contexto. Só Ele pode conceder; só Ele é capaz de retirar.

Não tomemos como exemplo os célebres e famosos casos de Ramóm Sampedero, cuja biografia foi brilhantemente retratada no filme Mar Adentro, e de Terri Schiavo, cujo histórico médico apontava para um comprometimento de suas faculdades mentais decorrentes de uma atrofia cerebral e um ataque cardiaco proporcionados por anos e mais anos de anorexia e bulimia. Muito pelo contrário. Esqueçam isso. Isso é a mais covarde e desonrosa fuga que um ser humano pode empreender. Uma afronta a Deus.

Pensem em Jean-Dominique Bauby, o jornalista francês que, mais do que ninguém, levantou a bandeira da vida através da sua autobiográfia intitulada O Escafandro e a Borboleta, onde ele nos mostrou o quão belo e poético é, simplemente, estar vivo. Acometido de um AVC e vitimado pela chamada Sindrome do Encarceramento, suas faculdades mentais permaneceram plenas e preservadas. Bauby perdeu todos os movimentos de seu corpo, à exceção da musculatura de sua palpebra esquerda e, através de um método criado por sua fonoaudióloga, ele conseguiu "ditar" seu livro, letra por letra, através, tão somente, do movimento desse seu órgão. O grande e inesquecível Bauby nos deixou, vitimado por uma pneumonia, dez dias após o lançamentos do seu livro.

Pensem nisso!

Abraço.





sexta-feira, 25 de junho de 2010

Por que nosso governo atual não é legal


Na tentativa de encontrar um eufemismo para filho da puta, canalha e escroto, cheguei a uma desagradável conclusão: ou não existe, ou meu vocabulário é vergonhosamente restrito. Não vou qualificar tais adjetivos a X ou Y, mas simplesmente dizer que, no mais inexpugnável recesso do meu caráter que, aliás, é a minha melhor qualidade, hoje me sinto traido pelos meus concidadãos pois, pelo menos na teoria, ainda somos titulares plenos da soberania democrática de nosso país.

Não quero parecer demagógico ou ficar cantarolando as notas de um disco arranhado, mas não custa nada reiterarmos o fato de que somos vitimados por uma das mais extorsivas cargas tributárias impostas a países emergentes (aí, sim, temos um eufemismo para países fudidos).

Diante de tudo isso, o que você teria a dizer de um governo que a, todo custo, às vesperas do pleito eleitoral, quer parecer bonzinho ao dar um reajuste de pouco mais de 7% a aposentados e pensionistas, pessoas que passaram suas vidas trabalhando para custear o papel higiênico que nossos legisladores e governantes usam para esfregar em seus respectivos traseiros? Não estou querendo dizer que, e isso fique bem claro, o reajuste devesse ser maior ou menor, pois não sou a pessoa mais indicada para analisar esses dados, mas que a noticia fosse dada com neutralidade, haja vista seu caráter, nada mais nada menos, obrigatório.

Pessoal, nossa segurança pública está caótica, com as drogas imperando na mais absoluta violência e desordem. Nossos irmãos trabalhadores não têm o que dar de comer aos seus próprios filhos. Eles estão morrendo em filas de hospitais depois de pagarem, por cada ano de suas vidas, quase cinco meses de impostos, sendo tratados como insetos. Essas pessoas nada mais nada menos do que meros peixinhos vitimados por uma involuntária ignorância alimentada pelo governo que, com sua vara de perscar, os alimenta com uma isca chamada bolsa-família.

Nossa questão ambiental está critica. O que será de nós quando não mais tivermos a floresta amazônica, o pulmão do nosso planeta? Nosso Seinfield barbudo e de lingua presa comparou a questão ambiental a um exame de prostata, pois, para ele, nem uma coisa nem outra dá para ficar virgem a vida toda. Significa dizer que, cedo ou tarde, eles vão enfiar o dedo no cu da gente. Então, se é para enfiar, que enfiem logo de uma vez. Parabéns! Foi esse homem que mandou na gente por oito anos, chefiando pagadores de mensalão e guardadores de dinheiro em cueca.

Ao contrário do que, talvez, você esteja pensando, não tenho orientação politica, nem partidária. Isso significa dizer que eu não voltaria nem mesmo no Tubarão Serra que, na imprensa de um modo geral, o qualifica como um conhecido assecla do senhor FHC. Este aí, por sinal e, para efeito de curiosidade, foi um dos relatores de nossa constituinte. O então senador FHC , gozando de toda influência e prestigio de que dispunha, tentou emplacar uma proposta redacional na nossa constituição onde se instaurava o parlamentarismo em nosso país, sem nem mesmo nos submetermos àquele plebiscito realizado no dia 21 de abril de 1993. Até a votação no plenário ele tentou dificultar. Para resumir, acaso isso tivesse vingado, seria dizer o mesmo que, em um episódio recente de nossa história, nós teriamos nossa chefia de governo nas mãos de um senhor engraçadinho que atendia pela alcunha de Severino Cavalcanti. Lamentável, não? Esse aí, com você sabe, também tomou conta da gente por oito anos.

Resumindo, quero encerrar dizendo que, não hoje, mas em um futuro próximo, talvez a minha ou, quem sabe, a sua geração, haverá de encontrar e plantar, onde quer que ela esteja, uma semente chamada esperança, a qual deve estar esquecida em algum lugar, simplesmente esperando para ser encontrada.

P.S. - Desculpem os palavrões.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O túnel rodoviário mais comprido do mudo

Já imaginou pegar seu automóvel e passar por um túnel, tendo a mais absoluta certeza de que há, nada mais nada menos, mil metros de montanha acima de sua cabeça? Com seus 24,5 quilômetros de extensão, é exatemente essa a sensação que o Túnel Laerdal, o túnel rodoviário mais comprido do mundo, vai lhe proporcionar.


Localizado em um importante trecho na principal via entre as duas maiores cidades da Noruega, Oslo (a capital, no leste) e Bergen (na costa oeste), o túnel impressiona pela sua imponência e tamanho. Em vista da impossiblidade de trafegar por outras estradas montanhosas que ligam as duas cidades, em vista do tempo ruím e da neve em algumas épocas do ano, o parlamento norueguês aprovou a construção de uma nova rodovia, cujo projeto contemplária a construção de um túnel localizado entre os povoados de Aurland e Laerdal. Após cinco anos de incessante trabalho, o túnel foi inaugurado em 2000.


3 equipes de trabalho empenharam-se na construção do Túnel de Laerdal. Cada uma das equipes posicionou-se em um dos extremos do túnel, enquanto uma terceira ficava responsável pelo duto de ventilação, com mais de 2 quilômetros de comprimento, e que se liga ao túnel a 6,5 quilômetros da entrada de Laerdal. Para que soubessem o ponto de partida exato de cada equipe, os trabalhadores se orientavam por GPS, além de feixes de "laser", os quais guiavam as sondas de perfuração e encontravam o local exato onde os explosivos deveriam ser posicionados, além de guiar a direção das escavações.


100 pontos de perfuração, com mais de 5 metros cubicos cada um, foram recheados com 500 quilos de explosivos, o que resultou em 500 metros cúbicos de cascalho, removidos por carretas e scanias. Após as detonações, era necessário, para que o trabalho pudesse recomeçar, que as paredes e o teto fossem escorados por parafusos de aço compridos, além de ter toda a superficie coberta por concreto jateado de fibrocimento. Depois de um custo aproximado de 120 milhões de dólares e um desvio de mais ou menos 50 centimetros, as duas equipes se encontraram em setembro de 1999 e, a partir daí, depois de pouco mais de um ano, o túnel foi inaugurado.


Para que os vinte minutos de travessia do Túnel Laerdal pudessem se tornar agradáveis, era necessário um eficiente sistema de ventilação. Tendo isso em mente, seus idealizadores projetaram um duto de ventilação de 2 quilômetros de comprimento, com saída para um vale, funcionando como um verdadeiro tubo de descarga. O ar fresco entra pelas duas extremidades e o ar poluído é sugado para fora através do duto. Dotado de dois ventiladores super potentes, o duto de ventilação pode aumentar o fluxo de ar quando o mesmo estiver muito poluído. Como o duto contemplava apenas o menor trecho do túnel, o lado de Laerdal, algo precisava ser feito em relação ao lado de Aurland. Para isso, foram instalados 32 ventiladores menores de empuxo no teto do túnel, com o propósito de aurmentar o fluxo de ar que sai pelo duto.


No entanto, nem mesmo tais esforços foram suficientes para purificar todo o ar que entrava pelas duas extremidades do túnel. Para isso, foi projetada, paralelamente ao Túnel de Laerdal, uma estação de purificação de ar em um outro túnel de apenas 100 metros de comprimento, localizado a 9,5 quilômetros da entrada de Aurland, cujas extremidades ligam-se ao túnel principal. O ar desviado para a estação tem 90% do pó e do dióxido de nitrogênio extraido.


A segurança não foi esquecida no Túnel de Laerdal. Lá, há um centro de controle para diversos sistemas de segurança e, quando ela fica comprometida, o centro é capaz de interditar o túnel. Além disso, há telefones de emergência a cada 250 metros e extintores a cada 125 metros que, se forem retirados do lugar, acionam automaticamente o centro de segurança. Caso algum incidente grave, eventualmente, venha a acontecer, luzes vermelhas são acionadas, alertando os motoristas a não adentrarem o túnel, e outras luzes orientam os que estão lá dentro para sairem em segurança, o que pode ser feito através de pontos de retorno localizados a cada 500 metros ao longo do túnel, além de 15 retornos maiores para veículos pesados. Outros itens como antenas de rádio, sistemas de contagem e fotográficos completam todo o aparato tecnológico do túnel, sempre tendo em vista uma maior segurança para os motoristas.


Além de tudo isso, o túnel é dotado de três câmaras do tipo caverna, responsáveis pela quebra da monotonia da viagem e que dão a sensação de estar passando por quatro túneis menores, ao invés de um bem comprido. Nestas câmaras, um outro ponto que surpreende os motoristas e se sobressai pela excelência é a iluminação especial, as quais são dotadas de uma luz verde e amarelada embaixo e uma luz azul em cima, as quais dão a sensação da luz do dia e do nascer do Sol.

Sem dúvida alguma, Jostein Gaarder, o autor de O Mundo de Sofia, está bastante orgulhoso deste grandioso monumento construido em seu país.